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Obra 'As Lunáticas' estreia no Cinema São Luiz: um encontro de símbolos da noite recifense

  • Foto do escritor: Samantha Oliveira
    Samantha Oliveira
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Falso documentário de Henrique Arruda se tornou série exibida em cinco capítulos e agora estreia no maior cinema de rua do Recife 


'As Lunáticas' terá exibição no Cinema São Luiz | Foto: _SylaraSilvério
'As Lunáticas' terá exibição no Cinema São Luiz | Foto: _SylaraSilvério

Uma mistura de realidade, purpurina e nostalgia guia o olhar do  cineasta Henrique Arruda sobre sua nova obra, 'As Lunáticas', que estreia no Cinema São Luiz, no Recife, neste sábado (20). O telefilme, que anteriormente estreou na TV Pernambuco com cinco episódios, agora ganha espaço na telona com entrada gratuita para o público, a partir das 18h30. 


A história se passa quarenta anos após o sucesso do grupo fictício 'As Lunáticas', onde as protagonistas - agora jovens senhoras - precisam se adaptar ao mundo de viralizações, dancinhas e seu agridoce retorno após a última vez juntas. O elenco é composto pelas protagonistas Sharlene Summer (Sharlene Esse), Raquel Simpson, Suelanny Tigresa e Pérola Patrícia (Pérola Saymon), além de Fato Kaim, Pascoal Filizola, Matheus Arruda, e Ruby Nox, compondo um elenco queer à altura para a grandiosidade da (fictícia) girlband das antigas. 


Primeira dama trans do Teatro Pernambucano e uma das protagonistas da série, a atriz Sharlene Esse não esconde a empolgação de se ver, novamente, no telão do cinema. "Vai ser gratificante ver com o público, porque a gente se sente mais acolhida, sente que as pessoas estão gostando do que a gente está mostrando. A expectativa é imensa e eu espero que todo mundo fique de água na boca", brinca, em entrevista à TAG.


O humor e seus símbolos 


Em formato de falso documentário, 'As Lunáticas' conta a história da girl band de nome homônimo que outrora fez sucesso nos anos 80. Descritas como uma mistura de Spice Girls com As Frenéticas e um toque de Xuxa, a trama é divertida e conversa com as próprias vivências de cada uma das atrizes nas noites recifenses. 


"Desde o princípio o projeto era voltado para falar da vida das meninas e homenageá-las também. Quis brincar com essa linha da realidade", explica o diretor, que usa grande parte dos nomes reais das atrizes nas personagens. "Essa brincadeira é muito legal de ser feita porque o espectador se confunde pensando 'será que estou vendo uma banda real?', 'será que essa história é real?'. Essa ideia de um reality também ajudou muito a explorar o humor e ajuda a transparecer a essência de cada uma delas". 


Tanto Sharlenne quanto Raquel se viram em suas respectivas personagens, e destacaram a relação com as artes. "No fundo, a personagem tem um quê meu e um quê do que Henrique construiu para o grupo das cantoras. Essa foi a minha vivência de dar vida para Sharlenne Summer", afirma Sharlenne


Suelanny em 'As Lunáticas'
Suelanny em 'As Lunáticas'

"Essa personagem que eu faço tem a minha cara porque sou uma pessoa muito eletrizante", defende, orgulhosa, Raquel. "Gosto muito de dança, de interpretar. Essa coisa de acreditar na arte, eu acredito até hoje. Porque tanto a dança quanto a arte televisiva, de cinema, são as artes que a gente desopila muito a mente. Acredito que a realidade até hoje é satisfatória pra mim".  



Quem fomos, quem somos e para onde vamos 


O clima de festa e humor em As Lunáticas também dá espaço para homenagens. Afinal, a obra é dedicada à Gilberto Brito e Pérola Saymon, ícones da cena noturna e teatral recifense que faleceram em 2026. No projeto, ela vive seu primeiro papel fictício, enquanto ele vive seu último papel em vida.


Entre as risadas, Henrique Arruda usa sua obra também para falar sobre envelhecimento e homenagear figuras queer ainda em vida. "Esse não é o meu primeiro trabalho que fala sobre o envelhecimento da comunidade LGBTQ, e eu estou envelhecendo enquanto estou falando sobre isso", defende.


Aos 62 anos, Raquel Simpson é uma dessas figuras. "Ter um trabalho meu sendo lançado no Cinema São Luiz é, além de gratificante, uma grande honra. Porque é um cinema que valoriza a arte de nós pernambucanos e, ali, o público vai conhecer um pouco do meu trabalho", celebra. 


A exibição e consagração de 'As Lunáticas' no Cinema São Luiz é carregada de símbolos e representações para a arte pernambucana. A o

bra, que dança de forma nostálgica entre passado e presente, sorri para um futuro mais queer, artístico e reconhecido. "Minha maior batalha é que todas essas pessoas sejam reconhecidas em vida. E acho que é para isso que a própria comunidade tem que trabalhar também: para conhecer os nossos ídolos em vida", finaliza Henrique Arruda. 


Sinopse 


Anos 80 e alguma coisa. Sharlene Summer, Raquel Simpson, Suelanny Sibernética e Pérola Patrícia tornam-se as meninas espaciais mais conhecidas de todo o país com o estrondoso hit “Amor do Futuro”. Tão veloz quanto um cometa espacial, a música logo sai das paradas de sucesso e as 4 jovens cantoras seguem seus destinos, sozinhas, observadas de longe pelo duvidoso empresário da banda, o carismático Gilberto Carreiras. É ele que, após 40 anos desde a explosão de suas pupilas, resolve reunir todas elas para mais uma era de sucesso. Perdidas no mundo dos streams, patrocínios, e das músicas de sentada, as Lunáticas vão precisar fazer o mais difícil se quiserem ter sucesso novamente: se aguentar.


Serviço 


Exibição 'As Lunáticas'

Cinema São Luiz 

20 de junho às 18h 

Entrada gratuita 

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