"É possível viver de música com persistência", diz Melina Hickson, diretora do Porto Musical, em edição histórica de 20 anos
- Samantha Oliveira

- há 10 horas
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Duas décadas de história pautadas na formação e na articulação do mercado fonográfico fora do eixo Rio-São Paulo. Essa é a trajetória do Porto Musical, que inicia sua 12ª edição nesta sexta-feira (4), no Recife. Com acesso inteiramente gratuito para o público, o evento reúne showcases, conferências e oficinas voltadas para profissionais e entusiastas da cultura.
Em entrevista à TAG, Melina Hickson, diretora do Porto Musical, afirma que a edição de 2026 traz como pilar central a resiliência no setor — seja para artistas, produtores, empresários, agentes ou técnicos. "É possível viver e trabalhar de música com persistência: plantando uma sementinha atrás da outra, se dedicando todos os dias, tentando entender as nuances e fazendo contatos com pessoas que têm o mesmo interesse", destaca.
Na programação, temas como trilhas sonoras, frevo, samba e políticas públicas para a cultura ganham protagonismo, além da concorrida conferência “80 Girassóis de Alceu Valença”, com participação do próprio cantor e compositor pernambucano.
Amplificação cultural e novos horizontes
Realizado pela primeira vez no mês de setembro, o Porto Musical se mantém fiel ao fio condutor que marcou seu surgimento, há 20 anos: a capacitação e o fortalecimento da cadeia produtiva da música. "Sempre tivemos em nosso DNA a formação, muito mais do que os shows", pontua Melina. Para a diretora, as apresentações que ocupam os palcos do evento funcionam como a celebração viva do que é construído nos bastidores.
Um dos grandes destaques desta edição histórica está nas oficinas, que oferecerão oportunidades inéditas ao promover trocas diretas entre pares, com quatro grandes nomes da cena ministrando capacitações para outros músicos: Juçara Marçal, Sofia Chablau, Jorge Salán e Victor Araújo. Paralelamente, as conferências propõem reflexões críticas e provocações sobre os rumos e desafios das carreiras no mercado contemporâneo.
Na vitrine dos palcos, o público confere uma amostra vibrante da produção nacional. Com nomes como MC Soffia, Paulete Lindacelva, Jáder e Joyce Alane no line-up, a curadoria se debruçou sobre a pluralidade de ritmos do país. "A ideia partiu do princípio de ter uma pequena amostra da diversidade da música contemporânea brasileira neste momento, mostrando artistas que já estão investindo em suas carreiras e conquistando espaços. Esse foi o foco principal", argumenta a diretora.

Desafios do setor e o ecossistema pernambucano
Manter uma convenção de negócios da música no Nordeste exige um esforço constante de articulação. A escassez de investimentos contínuos da iniciativa privada em eventos focados em formação e nichos de mercado ainda representa um gargalo histórico na região.
A viabilização desta 20ª edição foi garantida pela articulação com a gestão pública e institucional - através da Prefeitura do Recife e do edital de ações continuadas da Fundarpe -, somada ao patrocínio de marcas como a Sympla, que reconheceram a relevância do legado do projeto.
O Recife já se consolidou como um celeiro e hub cultural de projeção nacional. Com a realização de mais uma edição do Porto Musical, o ecossistema da música independente não apenas ganha fôlego para se reorganizar e crescer, mas reafirma a resiliência e a força de quem faz a arte acontecer na região.














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