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GOAT: tudo deles, nada nosso

  • Foto do escritor: Samantha Oliveira
    Samantha Oliveira
  • 9 de out.
  • 3 min de leitura
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Se eu te dissesse que esse filme poderia ser facilmente um dos favoritos de Neymar, você pensaria que ele é bom ou ruim?


Não, este não é um filme dirigido por Jordan Peele. Aliás, esse fato talvez seja um dos maiores defeitos de 'HIM' - nomeado no Brasil como 'GOAT' - que chegou aos cinemas brasileiros em outubro e promoveu um gosto agridoce na maioria das sessões.


Na verdade, GOAT é dirigido por Justin Tipping, em uma estratégica de marketing que fisgou muitos mundo afora: a estética similar, o título monossilábico e protagonistas negros. O famoso ditado "copia, só não faz igual". Aqui, acompanhamos Cameron Cade (Tyriq Withers), jogador de futebol americano que precisa voltar ao seu auge de performance após uma lesão. O alteta, então, recebe a ajuda inesperada do seu maior ídoldo o *goat* Isaiah White (Marlon Wayans).


Apesar dos elementos que claramente rementem à estética de Peele e a trama psicológica envolta dos personagens negros, Tipping para por aí quando se trata de beber da fonte do icônico diretor de cinema. Parece que o diretor ainda está tentando descobrir qual dos caminhos seguirá para culminar no grand finale do longa.


Honra, glória e essas coisas todas


A performance de Cameron Cade, dentro e fora dos campos, é elogiável em GOAT. O ator consegue entregar a pressão, desconforto, e todas as etapas percorridas por um atleta apontado como a próxima estrela. A questão fica ainda mais saliente quando a suposta 'suprema' - vivida por Wayans - está em tela, escancarando a discrepância entre as duas atuações.

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Wayans não consegue entregar a dualidade e os conflitos internos que o seu personagem carrega. Suas mudanças de personalidade e humor precisam ser rápidas e dinâmicas, o que não é entregue e não entrega profundidade o suficiente.


Além disso, GOAT entrou na minha seleta lista de "filmes de hominho", os quais os rapazes têm aquelas discussões de sempre sobre honra, superação, 'no pain no gain' e todas essas reflexões. O problema está, principalmente, na falta de nuance entregue no roteiro, que pincela, de forma superficial, elementos que poderiam ser seus diferenciais. Exemplifico: são poucos os diálogos em que é possível enxegar a cobrança pela excelência preta, a objetificação dos seus corpos para o entretenimento branco e certos mitos envolta do corpo do homem negro (forte, viril, etc). Se fosse Jordan Peele, já sabe...


Dois filmes entram em um bar

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Além da óbvia referência às obras de Peele, Justin Tipping também parece se inspirar em outros longas de suspense psicológico. Em dois momentos distintos, o longa remete ao clássico 'De Olhos Bem Fechados' e ao recente e agradável 'Pisque Duas Vezes'. Já dá para entender qual é o tom e aonde o filme quer chegar, né?!


Apesar disso, como dito anteriormente, as escolhas feitas pelo roteiro parecem não coincidir para o local em que ele, finalmente, chega no último ato. Em meio a todo aquele suspense, de fato, psicológico, GOAT flerta com gore e um terror mais real, fora da cabeça do protagonista. Aqui, o potencial do psicológico abalado do protagonista poderia ter entrado muito mais em xeque com tudo o que estava acontecendo entre ele e Isaiah. Felizmente, todo esse desenvolvido (ou a falta dele) é regado por uma fotografia digna do selo Peele.


Por fim, GOAT traz - ainda que por pouco tempo - a crítica do uso de corpos negros para entretenimento branco: neste caso, dois homens que sacrifiraram sua saúde mental e física para atingir o potencial máximo em uma sociedade em que eles nunca serão, verdadeiramente, os melhores de todos os tempos.


Veredicto: 2,5/5

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